Maré Branca em Madrid: milhares contra a privatização da saúde
por LA
Uma «maré branca» de trabalhadores e utentes dos serviços de saúde pública de Madrid encheu ontem as ruas da capital para protestar contra o plano de restruturação do governo regional da Comunidad de Madrid, que prevê privatizar 6 hospitais e 27 centros de saúde. É a quarta manifestação em um mês de luta, que já conta com dezenas de hospitais ocupados e uma greve de 48 horas.

Na manhã deste domingo, Dimitris Stratoulis, deputado do Syriza no parlamento grego, foi violentamente atacado por três homens que afirmaram pertencer ao Chrysi Avgi (Aurora Dourada, o partido neonazi grego com representação parlamentar).
O Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul vai prolongar até 7 de Janeiro a greve parcial, acrescida de recusa de qualquer serviço que tenha como origem ou destino o porto de Leixões, e pedir a declaração de inconstitucionalidade da nova lei para o trabalho portuário. Os representantes dos trabalhadores disseram no Parlamento que o diploma viola a constituição e a lei laboral.
A situação do sistema de saúde grego começou a piorar de dia para dia desde o primeiro pedido de resgate feito pelo país à Troika, em 2010.
A incessante austeridade e a consequente falência sociopolítica do sistema grego têm traçado o ambiente propício para o ressurgimento de ideologias nacionalistas de extrema-direita. Nas ruas, o medo impera entre imigrantes perseguidos por membros do Aurora Dourada; no parlamento, a ineficácia do debate público abre espaço para a ascensão do partido neonazi, que conta já com dezoito assentos parlamentares e uma intenção de voto do eleitorado estimada, actualmente, nos 14%.
A luta dos contribuintes contra o novo imposto imobiliário, que se arrasta desde o início de 2012 e teve o condão de unir parte significativa do povo irlandês contra as medidas de austeridade, terá nova vaga já no dia 5 de Dezembro, com uma marcha de protesto em direcção à assembleia.
Centenas de pessoas manifestaram-se ontem, 6 de Novembro 2012, em apoio aos trabalhadores que ocupam o Hospital Universitário de La Princesa, desde o passado dia 2 de Novembro e indefinidamente, contra a sua privatização anunciada pelo Governo regional de Madrid. Também os outros 5 hospitais de encontram ocupados: o Hospital Infanta Leonor, desde 5 de Novembro, o Hospital del Henares, desde 6 de Novembro, e a partir de hoje, o Hospital Carlos III de Madrid, o Hospital del Tajo (Aranjuez) e o Hospital del Sureste (Arganda). Estas ocupações têm como objectivo que o Governo regional faça marcha atrás nas medidas que pretendem privatizar seis dos hospitais da Comunidade de Madrid. A organização sindical UGT acusa o Governo regional de pretender "fazer negócio com a saúde dos madrilenhos e com a precariedade das condições laborais dos trabalhadores".
Os trabalhadores do Hospital Universitário de La Princesa, em Madrid, encerraram-se hoje, sexta-feira 2 de Novembro, dentro do hospital para protestar contra a decisão do governo regional (Comunidad de Madrid) de transformar o hospital num centro de alta especialização geriátrica. Os trabalhadores cortaram o trânsito na rua, empunhando cartazes onde se lia «O hospital não está à venda». A ocupação começou às 11 horas da manhã e não tem final previsto. O Hospital de La Princesa tem mais de cem anos de história e conta com um total de 2.500 trabalhadores. Os trabalhadores acusam o governo e a administração de falta de transparência. Ignacio González, presidente da Comunidad de Madrid, revelou à imprensa, dois dias atrás, que não vai ficar nem um hospital sob gestão pública.
Os eleitores islandeses foram chamados a votar em referendo 6 perguntas sobre a nova Constituição do país, escrita por 25 cidadãos, num exercício de democracia directa sem precedentes. A afluência às urnas, no 21 de Outubro, foi de 48,5% e todas as seis perguntas inscritas tiveram resposta afirmativa por larga maioria. A votação foi esmagadora em relação aos recursos naturais. 83% dos votantes declarou-se contra a sua privatização. Apesar de não ser vinculativo, os defensores da mudança esperam que os políticos não ignorem este referendo e que o parlamento reveja a constituição. Após a crise que afectou em 2008 o sector bancário, os islandeses escolheram por duas vezes em referendo não pagar as dívidas aos credores estrangeiros. O primeiro-ministro responsável pela crise foi julgado.