Estudantes italianos voltaram à rua em várias cidades
por Ana Azevedo
Os estudantes italianos invadiram hoje, 15 de Fevereiro 2013, as ruas de algumas das principais cidades do país. Esta é a quarta manifestação de estudantes em Itália em apenas quatro meses. Desta vez, à revolta contra o impacto das medidas de austeridade no sector da educação, juntaram-se protestos contra a falta de alternativas políticas na corrida às eleições parlamentares, a terem lugar nos dias 24 e 25 de Fevereiro.

No contexto da Semana Verde Internacional, dezenas de milhares de pessoas mostraram a sua indignação com a política agrícola europeia, responsável, entre outras questões, pelo atraso do desenvolvimento dos países mais pobres. Como alternativa à agro-industrialização, os manifestantes propõem reformas que promovam as pequenas explorações agrícolas, privilegiando a qualidade dos alimentos e o respeito pelo meio-ambiente e pela biodiversidade.
Em Espanha, o Sindicato de Estudantes convocou três dias consecutivos de greve a partir desta terça-feira, 5 de Fevereiro 2013. No primeiro dia, a greve teve um apoio sem precedentes: 80% nas escolas e institutos públicos de ensino secundário. Os estudantes protestam contra a futura Lei Orgânica para a Melhoria da Qualidade Educativa (Lomce), que consideram uma «contra-reforma franquista», «segregadora» dos alunos e «privatizadora» do ensino de qualidade, e exigem a demissão do ministro da Educação e do Governo. Além da greve geral nas escolas públicas, estão previstas manifestações durante toda a semana, bem como protestos durante as tardes de quarta-feira e quinta-feira.
Desde há meses que muitas associações têm mostrado o seu descontentamento face à onda de desalojados que têm surgido em Espanha. A PAH (Plataforma de Afectados pelas Hipotecas) teve início já em 2009 e surgiram muitas associações a nível regional, fazendo várias campanhas de defesa do direito à habitação daqueles que, devido à crise, se vêem incapazes de pagar a hipoteca ou o aluguer de casa. Estas associações acusam também o governo de manobras para tirar da comunicação social os casos mais dramáticos de despejos, como os de famílias extremamente pobres.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou o seu Relatório Mundial sobre Salários 2012-2013. Nele se estudam as tendências de evolução dos salários nas diversas regiões do mundo, bem como a produtividade do trabalho e a repartição dos rendimentos colectivos. Ressalta do relatório o facto de, embora a produtividade e o rendimento colectivo aumentem continuamente, a parte dos rendimentos que cabe aos trabalhadores diminui com igual constância nas duas últimas décadas.
Em Espanha, as cooperativas de trabalho associado converteram-se para muitas pessoas numa alternativa para conseguir o seu próprio emprego. Nas cooperativas de trabalho, a primeira prioridade é a manutenção do emprego: «Se há menor facturação porque há menos vendas, reduzem-se gastos, não se despedem pessoas, quando muito baixam-se os salários». A tomada de decisões é horizontal: é a assembleia de cooperadores quem toma as decisões ou delega o seu mandato nos órgãos dirigentes. Neste artigo de Ana Requena Aguilar, publicado em El Diario, são apresentados alguns casos exemplares espanhóis.
O governo da Comunidad de Madrid aprovou em 27 de Dezembro a privatização de 6 hospitais e 27 centros de saúde, apesar da forte oposição dos trabalhadores da saúde que, nas últimas semanas, ocuparam os hospitais e fizeram grandes manifestações – quatro «marés brancas» – com o apoio da população. No mesmo dia, os médicos puseram fim a uma greve de 5 semanas (que pretendia impedir a aprovação dessa lei) e de imediato os dirigentes dos hospitais e centros de saúde responderam com uma avalanche de demissões. Para Janeiro preparam-se novas formas de luta.
A instabilidade social tem dominado o período de transição de regime do Egipto, dividindo a população entre o apoio ao novo presidente egípcio e a contestação veemente da sua liderança, acusada por muitos de não representar a totalidade do povo egípcio. A indignação face ao decreto que ampliava os poderes do presidente tem subido de tom, numa escalada de confrontos dos quais já resultaram dez mortos e cerca de setecentos feridos.
O fim da ditadura de Ben Ali não trouxe o progresso que a população tunisina anseia. Os confrontos que se verificaram na cidade de Siliana, pela sua dimensão, demonstram os enormes desafios que a Tunísia tem pela frente. No entanto, a firmeza da população desta cidade na defesa das suas reivindicações poderá servir de estímulo a todos os tunisinos.