Greve geral – e depois?

Greve geral – e depois?

15-11-2012

São Bento, Lisboa, 14 Novembro 2012

Temos um governo cercado que não há meio de cair nem de sair. Nenhum dos governantes ousa já pisar o espaço público, onde são invariavelmente apupados.

Polícias, militares, reformados, desempregados e empregados, até empresários e autarcas, à esquerda e à direita, todos se têm manifestado contra estas políticas. A senhora Merkel foi nitidamente mal-recebida no país da hospitalidade. E assistimos ontem a um facto histórico: uma greve geral europeia. Começa a desenhar-se uma resposta geral dos trabalhadores europeus às políticas impostas pelos interesses corporativos que dominam o continente.

Também em Portugal milhares de trabalhadores saíram à rua durante a greve geral europeia de 14/11/2012 para protestar com veemência – e desespero – contra as políticas de austeridade, contra um Orçamento de Estado para 2013 que promete deixar o país à beira da fome endémica, provocar uma nova descida real de salários e uma retracção económica ainda mais acentuada, com o consequente aumento de desemprego.

A par disto avizinham-se privatizações de quase todos os serviços públicos – que nunca poderiam constitucionalmente ser alienados. Estas privatizações, introduzindo a lógica do lucro, fazem sistematicamente aumentar o custo dos serviços e pioram a sua qualidade. É um roubo descarado dos bens públicos e comuns.

Qual foi a resposta dos poderes públicos aos protestos manifestados em toda a Europa? A mão pesada da repressão policial por toda a parte. Uma ofensiva concertada de poderes que nada têm de democráticos. Um mundo de pesadelo.

A guerra está instalada. O medo é a arma de sustentação deste governo e dos poderes acima dele: a Troika, a Merkel e os «mercados» anónimos.

Vivemos portanto no day-after, vigora a lei da bastonada e da perseguição sem-lei. Mais uma vez, este governo mostrou claramente o caminho que propõe para o nosso futuro: miséria e repressão.

O que fazer?

É preciso que a mobilização colectiva se faça em cada repartição pública, em cada empresa, em cada escola, em cada fábrica, em cada bairro, em cada pedacinho deste mundo que é nosso. Em cada local de trabalho, as pessoas devem juntar-se, propor e decidir em assembleia acções de luta e formas de resistência.

Há bons exemplos a seguir: o dos activistas que se colocaram ao serviço da população na escola da Fontinha; o dos deficientes que fizeram vigília em S. Bento; o dos trabalhadores que ocuparam os hospitais de Madrid contra a sua privatização; o dos clientes que ocuparam a Caixa Catalunya contra os despejos; o dos trabalhadores gregos que constituíram mercados autónomos sem intermediários e hospitais de solidariedade para os desempregados (que perderam direito à saúde pública), e até uma cidade grega que criou moeda própria.

Os trabalhadores precários devem organizar-se para formar comissões capazes de defender os interesses colectivos de forma unitária. E se temem perder o emprego, formem comissões de trabalhadores clandestinas e reúnam fora dos locais de trabalho. Façam isso enquanto é tempo – enquanto estão juntos. Só a solidariedade activa poderá vencer esta guerra para que fomos arrastados.

Ocupar os locais de trabalho, ocupar os bancos, ocupar os serviços públicos e reivindicar o que for preciso. Não esperes para ver. Agir é agora!

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