Internacional

Declaração do grupo Taksim Solidariedade

05-06-2013


(foto s/a, via Artigo 21.º)

O grupo Taksim Solidariedade reuniu-se esta manhã com o vice primeiro-ministro turco para apresentar os protestos e exigências da população, tornadas públicas no comunicado que transcrevemos abaixo (gentil tradução de Artigo 21.º, corrigida e editada por AFolha). Por todas as cidades da Turquia a contestação à governação vai subindo de tom.

Ao Governo da República da Turquia e ao público

Os cidadãos de Turquia expressaram, de forma democrática, a sua oposição à brutalidade policial que se seguiu à manifestação popular de consciência social sobre a demolição de árvores no ParqueTaksim Gezi às 22h00 do dia 27 de maio de 2013.

Em primeiro lugar, compartilhamos a dor das famílias de Abdullah Cömert e Mehmet Ayvalıtaş que perderam suas vidas nos eventos, e desejamos a rápida recuperação de milhares de cidadãos que foram feridos.

Infelizmente, o governo tem vindo a prosseguir a violência, pressão e proibição, em resposta às exigências do povo no que diz respeito à democracia e aos direitos humanos. Que se saiba que estamos a trabalhar arduamente para criar um ambiente social no qual as reivindicações democráticas possam ser manifestadas, sem um nariz sangrento, através da erradicação de tensões.

Para este fim, como Taksim Solidariedade, solicitamos ao governo que tome medidas sólidas para satisfazer as nossas reivindicações, que são as seguintes:

Que o Parque Gezi permaneça como um parque. Não haverá construção no Parque Gezi, seja sob o nome de Topçu Kışlası ou de outra forma. Exigimos que seja feita uma declaração oficial sobre o cancelamento do projecto e que todos os planos em relação à demolição do Centro Cultural Atatürk sejam imediatamente interrompidos.

Que os governadores de Istambul, Hatay, Ankara, bem como os chefes de polícia, que negaram às pessoas os seus direitos democráticos, ordenando ou implementando severa opressão e violência, ferindo muitos e matando dois cidadãos, sejam removidos dos seus cargos.

Que a utilização de gás lacrimogéneo e substâncias similares seja banida.

Que aqueles que foram presos pela sua participação nos protestos em todo o país sejam imediatamente libertados e que seja emitida uma declaração oficial em como não serão acusados.

Que a proibição de manifestações em todas as praças, parques e espaços públicos, especialmente aqueles conhecidos como áreas do 1º de Maio, tais como a Praça Taksim e Kızılay, seja revogada – tanto oficialmente e na prática.

Acreditamos, também, que o conteúdo, o espírito, esperanças e exigências que foram formuladas nas praças, ruas e em todos os espaços públicos desde 27 maio de 2013 devem ser escutadas e tidas em consideração pelas autoridades. Tentando apelidar o que aconteceu como «grupos marginais» é fechar os olhos à realidade. É claro que a mentalidade governamental que se cristalizou na intervenção no Parque Gezi é percebida por um grande público, incluindo mulheres, homens, jovens e velhos, como uma «agressão e desprezo pelo seu estilo de vida e crenças», ao qual respondemos «nós existimos, estamos aqui e temos exigências».

O teor da crescente oposição inclui a recusa da agressão aos nossos recursos ecológicos causada pelo terceiro projecto da ponte, o 3º aeroporto, o Canal Istanbul, a Ataturk Forest Farm em Ancara, e os projectos de barragens hidroeléctricas de pequena dimensão; as objecções ao projecto-lei do governo para a Protecção da Diversidade Natural e Biológica; a recusa da mentalidade de guerra para o nosso país e para a nossa região, à qual contrapomos a exigência de paz; as sensibilidades dos cidadãos Alevite e as legítimas reivindicações daqueles que são marginalizados pela transformação urbana; as vozes contra as políticas patriarcais que governam os corpos das cidadãs; a denúncia das pressões sobre as Universidades, o sistema jurídico e os artistas; as exigências dos trabalhadores da Turkish Airlines em greve e de todos os trabalhadores contra a usurpação dos seus direitos; todas as lutas contra a discriminação por orientação sexual e identidade de género; a exigência dos cidadãos para que sejam removidos todos os obstáculos no seu acesso à educação e cuidados de saúde.

 

 

Fontes

Artigo 21.º

Versão inglesa (origem) em Gul Kozacioglu

Editores: 
Artigo baseado em informação proveniente de movimentos sociais.
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